domingo, 13 de março de 2011

Simbolismo.


Os simbolismo surgiu na França no final do século 19. Tem como característica principal o subjetivismo, assim aproximando-se do romantismo, mais precisamente a segunda geração. Já que existe um certo apego ao uso de imagens noturnas, a vida é tratada como efêmera e o sofrimento iminente... E no que se diz a estrutura do texto aproximasse ao parnasianismo, pois apresenta uma certa musicalidade. Utiliza recursos como: aliteração(repetição de letras ou sílabas em uma mesma oração), assonância (repetição fônica das vogais) , reiteração e rondel ( gênero literário francês que possui estrutura fixa, para saber mais click AQUI). Enfim  o simbolismo em conteúdo aproxima-se do romantismo e em estrutura do parnasianismo.
É certo que o simbolismo possui características peculiares como sua principal o uso de símbolos exteriorizar. Observe o poema Ismália.


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


No verso 2 percebemos uma características muito presente no simbolismo, a torre de marfim. Que simboliza o isolamento com o mundo. Nos versos 3 e 4 da primeira estrofe encontramos como símbolo a lua, ela representa no verso 3 o mundo perfeito, imaterial, metafísico, e no verso 4 o mundo imperfeito, material e empírico. Esse símbolo aproxima-se muito da teoria das sombras de Platão, aonde nosso mundo é uma mera reflexão de um perfeito, e para os simbolistas a única forma de liberta-se era através da morte o que se evidência nos versos 3 e 4 da ultima estrofe.

Basicamente podemos definir o simbolismo nos seguintes tópicos.

1. O autor simbolista procura revelar a realidade subjetiva (o mundo interior) e muitas vezes essa realidade está ligada ao metafísico, ao espiritual (religiosidade), ao inconsciente.
2. O autor simbolista recorre à sonoridade, o que se denomina, em literatura, musicalidade. Para obter esse efeito, ele emprega recursos como aliteração, assonâncias, onomatopéias e sinestesias.
3. o que, às vezes, parece confundir o leitor é a linguagem vaga, imprecisa, sugestiva. É exatamente por isso que essa escola tem o nome de Simbolismo.
4. Em comparação com o Realismo, o Simbolismo nega o materialismo e a lógica cientifica. Ele recorre então a uma maneira de pensar voltada para o místico: o cosmo, os astros e até mesmo o esoterismo.
5. Curiosamente o autor simbolista emprega maiúsculas em situações incomuns. Com isso ele pretende personificar o termo empregado, como numa alegoria. É freqüente o uso de substantivos abstratos com esse objetivo.
6. O autor simbolista é um nefelibata, isto é, um habitante das nuvens.
7. Numa aparente retomada do ultra-romantismo, o  poeta simbolista é pessimista e revela a dor da existência. Ele explora termos referentes à noite, ao crepúsculo à morte.
8. É comum haver referencias ao branco, como símbolo de efemeridade.
9. A morte para o simbolista, diferente do romancista. É instrumento de libertação e não de evasão.
10. No simbolismo o mundo empírico é uma mera reflexão imperfeita do mundo empírico que é perfeito.
11. Na arte simbolista é permitido uma interação sensorial e reflexiva.
12. É muito comum no simbolismo a sinestesia, que é a mistura de sentidos. "Gosto da dor" (Misturando o paladar com o tato).
13. A linguagem é extremamente figurada.
14. Um poema simbolista baseasse em símbolos para exteriorizar o interior.
15. Sonho no simbolismo não pode ser entendido da forma convencional, mas sim como  uma liberdade provisória, pois transcende o corpo e pode desfrutar um pouco do mundo metafísico, por isso que é subjetivista, é a visão do eu. O sonho no simbolismo possui um pouco de base em Freud, que é a liberdade do subconsciente, dos desejos mais íntimos de cada um.
16. O simbolismo é totalmente contrario ao cientificismo, objetivismo e positivismo do Naturalismo e Realismo. Tendo uma grande tendência a retomada do subjetivismo do "Eu" muito presente no romantismo.
17. O corpo para o simbolista é uma cadeia, uma prisão. Que aprisiona a alma, a única forma de liberdade é através da morte, observe no poema a seguir:

CÁRCERE DAS ALMAS
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
Cruz e Souza.

Nesse poema podemos encontrar a sugestão que as almas, andam aprisionada. Essa prisão referida é o corpo material, imperfeito, empírico. Uma prisão de carne e osso, uma prisão aonde o sofrimento é iminente, vivo logo sofro.  A vida é transitória, poetas como Camilo Pesssanha utilizam a água para simbolizar essa transitoriedade. Os símbolos, a sinestesia é uma tentativo do poeta, expressar-se, expressar sua dor, seu sofrimento, simbolismo é uma linguagem por símbolos, símbolos subjetivos e sugestivos, símbolos que permitem o autor repassar o seu sonho (não entenda como sonho convencional mas sim no contexto simbolista)  Entendendo isso, entende-se no que se diz a conteúdo o simbolismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário